terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Meninas Mães

Fato comum na sociedade contemporânea é a gravidez na adolescência, pois os adolescentes estão iniciando a vida sexual muito cedo. Pulando uma importante fase da vida, amadurecem precocemente com as dificuldades que ora se impõem.

Diversos são os problemas decorrentes da gravidez precoce. São exemplos: a maior incidência de baixo peso, prematuridade e asfixia em bebês, em relação às faixas etárias de 20-30 e 30-39 anos e o considerável aumento no número de mães solteiras.

De acordo com pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), uma em cada cinco mulheres que ficaram grávidas no país em 2007 tinha entre 15 e 19 anos. Sendo média nacional, podemos imaginar que há áreas em que esse índice é maior ou menor.

E como estão as adolescentes cariocas?
O Movimento Rio Como Vamos reuniu indicadores sobre o Rio de Janeiro e suas 33 Regiões Administrativas (RAs) e verifica-se que os casos de gravidez na adolescência são mais freqüentes nos bairros mais pobres da cidade, principalmente favelas. Tais como: Rocinha; Cidade de Deus; Complexo do Alemão; Maré; e Jacarezinho.

Nossas comunidades mais carentes têm como maior característica a falta de assistência por parte do Estado, e essa ausência se dá nas diversas modalidades de serviços públicos, tais como: segurança; saneamento básico; educação e saúde.

A gestação na adolescência é um grave problema de saúde pública, mas será que os governantes a vêem como tal? Curioso isso, pois de nada adianta verem, se na verdade todo o sistema de saúde pública carece de investimentos. Nossos hospitais estão abandonados e faltam profissionais.

Há uma gritante diferença em ver o problema, saber que ele existe e ter a iniciativa de enfrentá-lo e tentar resolvê-lo.

Como parte da solução do problema estudiosos afirmam que os pais devem ter maior diálogo com os filhos. Mas quais das palavras "carente"; "favela"; e "pobreza", eles não entenderam? A pobreza não se resume à falta de bens materiais, mas também de informação. O Estado abandonou essas pessoas. Como informar sem ter informação?

As vezes me assusto com a quantidade de "meninas" que vejo diariamente empurrando carrinhos de bebê nas ruas, principalmente quando já carregam outro filho.

O Estado que criou a CPMF, e arrecadava bilhões por ano, investiu menos de 1% dessa quantia na saúde e hoje necessita que ONGs façam seu trabalho, pois é melhor firmar convênios e simplesmente mandar dinheiro para essas instituições do que investir de verdade, comprometendo-se com as causas sociais.

Faz-se necessário que o Estado busque alternativas para a conscientização dos adolescentes, sobretudo da população mais necessitada.

serviços disponíveis para as gestantes adolescentes, contudo, o ideal é que se trabalhe no campo da prevenção, pois a não utilização de meios contraceptivos como o preservativo, ou como é mais comumente chamado: "camisinha", favorece também a contaminação por doenças infecto-contagiosas como a AIDS, e não se deve esperar que isso aconteça. É imperiosa a necessidade de se fazer mais e mais pela saúde pública!

Cito aqui algumas sugestões:
- Incursões de equipes de saúde com dia e horário marcado, com grande divulgação nas localidades a serem visitadas, através de rádios comunitárias e associações de moradores, para distribuição de panfletos vizando orientar a população acerca do tema;
- Palestras em escolas e distribuição de material educativo para adolescentes e pré-adolescentes; e
- Propagandas educativas nos canais de televisão aberta.

O futuro do Brasil agradece.

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