segunda-feira, 9 de março de 2009

Insegurança Pública, geral e indiscriminada

Diariamente, o poder paralelo instalado há décadas no Rio de Janeiro mostra ao poder público sua força, desafiando-o cada vez mais intensamente. A mais recente prova disto foi a interdição, durante horas, da linha férrea na altura do bairro de Senador Camará na última sexta-feira, dia 6 de março, impedindo as pessoas de chegarem ao trabalho e voltarem para casa como normalmente fazem. Normalmente?! Depende do que se entende por normalidade. Isso para mim não é normal, embora seja comum.

Não é a primeira vez que ocorre exatamente a mesma coisa naquela localidade - situação semelhante ocorreu no dia 25 de junho do ano passado - e, infelizmente, talvez não seja a última. Quem se lembra da onda de terror de dezembro de 2006? Ataques orquestrados por criminosos em toda a cidade que tiveram como alvo principalmente policiais e delegacias e que levaram o caos a todos os cantos do Rio. Foram dezenas de mortos, principalmente policiais.O que falta para que ocorram novamente?

É o momento de se repensar a maneira com a qual o Estado, através da Secretaria Estadual de Segurança Pública e, por conseguinte, como as polícias Militar e Civil, têm enfrentado o problema.

" É o momento de se repensar a maneira com a qual o Estado, através da secretaria de Segurança Pública e, por conseguinte, como as polícias Militar e Civil, têm enfrentado o problema "

Sabe-se antecipadamente, por exemplo, que um morro, favela, ou comunidade, se assim preferir, será ocupada. E isso é dito pelo oficial da Polícia Militar em entrevista a qualquer telejornal: quando haverá operação da polícia, como será realizada e por qual motivo. Desde adolescente, me faço a seguinte pergunta: será que a polícia acha que os traficantes não assistem a televisão ou não leem jornal? Não é possível! Ou, então, há por trás disso uma ciência que ainda não consegui compreender.

Não há um só dia em que não seja noticiado um homicídio - seja por guerra de traficantes ou milicianos -, latrocínios ou balas perdidas. O número de roubo a ônibus cresce cada vez mais. No meio dessa guerra, que tem de um lado o Estado e do outro a criminalidade, está a população. Alguns fingem que está tudo bem. Quem sabe para que possam viver sem entrar em pânico, afinal, todos temos que trabalhar e tentar viver, ou seria mais apropriado sobreviver?

Não existe segurança pública no Rio de Janeiro. A insegurança sim, é pública. Só não vê quem realmente não quer. Quantos mais terão que morrer para que o Estado modifique sua política de segurança e para que o povo carioca de verdade se conscientize de que somos todos reféns da criminalidade?

Em muitas localidades, o cidadão tem seus direitos declaradamente desrespeitados. Seus filhos só estudam quando o tráfico permite, há toque de recolher e a famosa lei do silêncio. Isto nos lembra algo? Sim, a ditadura. Mas desta vez não é o Estado quem edita os atos institucionais, timbrados e assinados, e sim os filhos da incompetência e abandono do poder público, armados com fuzis.

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