segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O mistério das ocupações pacíficas das favelas para instalação das UPP's no Rio de Janeiro

Muito se tem discutido sobre a questão da instalação das UPP's - Unidades de Polícia Pacificadora, estrategicamente posicionadas em diversas comunidades carentes da Cidade do Rio de Janeiro, sobretudo na Zona Sul carioca.

É uma das marcas da atual gestão do Governo Fluminense, juntamente com as UPA's - Unidades de Pronto Atendimento.

As UPP's foram criadas para que o Poder público chegue à áreas abandonadas por este e controladas pelo poder paralelo, qual seja o formado principalmente por traficantes de drogas.

Certamente é fácil de se constatar que o Governo Cabral se utiliza da tática de confronto no combate ao crime organizado, com especial atenção ao "organizado".

Diversos foram os episódios noticiados e divulgados pela mídia, com erros e acertos das ações policiais que resultaram em inúmeras mortes (que não serão alvo de juízo de valor nesse momento).

Então, para minha surpresa e de muitas pessoas, as instalações de UPP's tem sido anunciadas com antecedência e realizadas de maneira pacífica, sem qualquer reação por parte dos grupos fortemente armados que controlam as favelas.

O que aconteceu com os traficantes de drogas - sujeitos destemidos que diuturnamente enfrentam as polícias do Rio de Janeiro? Será que estão em algum sinal vendendo balas ou amendoins? Não creio.

De verdade, ações policiais anunciadas com tamanha antecipação, geralmente através de redes de televisão e executadas de maneira tão simples têm me deixado com a pulga atrás da orelha.

Onde estão os marginais, outrora ferrenhos enfrentadores dos agentes do Estado? Será que na Baixada Fluminense ou Zona Oeste do RJ? Há quem diga que as estatísticas de crimes aumentaram nessas áreas. mas será que são os traficantes agora assaltantes? Não...são os bandidos que já viviam desse tipo de atividade que migraram para essas regiões.

E onde estarão os traficantes? Mudaram de ramo, como na hipóteses já trazida? Ou será que simplesmente desapareceram, como num passe de mágica?

Esses homens que matam e morrem diariamente pelo controle dessas áreas, em conflito com polícias, facções rivais e milícias estão abrindo mão assim, de bandeja de todo o poder e ganhos milionários? Não sei...há algo mais, que um dia será esclarecido.

Há quem diga que o tráfico continua a acontecer, indiscriminadamente e à luz do dia nas favelas ditas pacificadas, agora sob a égide estatal.

Estarei vivo para ver o dia em que os traficantes, que continuam lucrando milhões por mês e que certamente continuam a se armar, não mais estarão escondidos e nesse dia, esse mistério será revelado.

Um comentário:

  1. Interessante sua postagem e de certa forma intrigante pois tais questões vêm assombrando, também, o meu pensamento, não só como moradora da Baixada e cidadã fluminense, mas como operadora ativa do direito.
    O Estado, agente soberano,diretor do poder de polícia, hoje é visto com descrédito pelos seus 'comandados", não será implantação de UPP´s ilusórias que deixarão a população sem medo de caminhar pelas ruas durante o dia, ou muito menos à noite.
    Dr., outro ponto interessante que também me traz um grande desconforto trata-se da maré de casos policiais "famosos" sendo resolvidos em um limite de tempo tão curto e com tanta presteza de nossa corporação investigativa. ora, e os homicidios envolvendo pessoas ditas"normais" estão a que pé? Tenho uma grande desconfiança que podem estar a beira de um arquivamento, sem qualquer indiciado...Infelizmente, é oque temos para exemplo de Estado Democrático...As eleições estão aí...

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