segunda-feira, 11 de julho de 2011

A 150 km/h, sonhos deixam de existir para virar mais um número em triste estatística

Mais uma vida dentre as milhares que se perdem no Brasil diariamente.

Um Porshe a 150 km/h e mais um acidente fatal nas nossas ruas.

Pergunto-me de quem é a culpa. É do condutor? Sim, sem dúvida.

Segundo a polícia, ele será processado como incurso no crime de homicídio doloso, quando há intenção de matar, uma vez que a essa velocidade teria assumido o risco de provocar o resultado morte.

Sim, mas a letalidade de um impacto com automóvel é de quase 100% a 70 km/h, o que me leva a pensar que é algo muito estranho, num país onde as velocidade máximas de nossas ruas, estradas e rodovias não ultrapassam 120 km/h, ou seja, nas ruas é bem menor, cerca de 60 km/h, termos automóveis que podem chegar a 150, 200, 220 km/h...

Se nossas ruas não fazem parte dos circuitos de Fórmula 1, por que os automóveis que nelas circulam podem alcançar essas velocidades? Não é hora de fazer uma limitação de fábrica?

Transcrevo aqui trecho de artigo do site Portal do Trânsito para que possam ter uma noção mais clara da situação do Brasil, sob a perspectiva mundial de acidentes e de política de seu enfrentamento.

"Por outro lado, os dados indicam que a partir de 2008 começou a haver uma leve queda nos acidentes fatais, o que pode indicar os efeitos positivos da Lei Seca. Mas, ao mesmo tempo, deve-se considerar um fato que veio de encontro a essa política de segurança no trânsito – a exoneração do IPI para carros – que aumentou consideravelmente a frota de veículos nas ruas do país, o que eleva os índices de acidentes. 

Nos países desenvolvidos vem sendo aplicada uma política contrária, que busca reduzir, a cada ano, a frota de veículos nas ruas. Essa comparação com os países desenvolvidos mostrou que, proporcionalmente à população, o trânsito brasileiro mata 2,5 vezes mais do que nos Estados Unidos, e 3,7 vezes mais do que na União Européia. 

Em 2008, enquanto os Estados Unidos obtiveram uma taxa de 12,5 mortes a cada 100.000 habitantes, o Brasil obteve uma taxa de 30,1, sendo que a frota de carros norte americana é o triplo da brasileira."

No Brasil 35 mil pessoas perdem a vida por ano em acidentes de trânsito (há quem diga que esse número possa passar de 50 mil, uma vez que são contabilizados para a estatística somente as mortes no local. Os que falecem a caminho ou no hospital acabam não entrando na contagem por falta de acompanhamento).

O número de amputados é enorme. Eu, particularmente tenho notado um aumento significativo de pessoas sem as pernas ou braços pelas ruas, notadamente isso em boa parte se deve aos acidentes com automóveis.

É coisa mais comum do mundo ao irmos para o trabalho nos depararmos com um acidente fatal.

Perdi a conta de quantos vi. E isso sempre me toca, pois sei que quem está ali tem família, tinha planos e sonhos e morre, vítima da pressa, imprudência, irresponsabilidade, má conservação ou nehuma conservação das pistas.

As mulheres bonitas e artistas descompromissados continuarão nos comerciais de cerveja enquanto milhares morrem e a potência dos motores ainda é mais atrativa que a quantidade de air bags que possui.

Acredito que a hora de uma mudança de mentalidade já passou há muito e só nos damos conta disso quando acontece conosco ou em nossa família.

Não espere acontecer.

Um comentário:

  1. A soberba daquele "cidadão" o levou a achar que a rua que ele se encontrava é somente dele, tão somente dele, naquele momento, e nada e ninguém seriam obstáculos para sua sanha, para o seu desejo de sentir o quanto seu carro era superior aos demais. Mas...

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