terça-feira, 27 de setembro de 2011

De quem é a culpa pela insegurança pública do Rio de Janeiro?

Após a morte da Juíza Patrícia Acioli, a briga pelo poder no Rio de Janeiro e a situação da Segurança fluminense ficaram mais evidentes.

Nessa obscura realidade os atores são políticos, traficantes, milicianos, policiais, membros do Judiciário e a população.

Os políticos se mantém passivos, omissos diante dos acontecimentos, excetuando-se alguns e ainda há os que atuam diretamente em conjunto com as milícias e traficantes, o que fica  bem claro com deputado e vereadores do Rio de Janeiro presos por envolvimento comprovado inclusive em homicídios.

Os milicianos são policiais e ex-policiais, somando-se também bombeiros e contam com o auxílio de ex-traficantes e outros que sentem-se poderosos à sombra das armas dos seus chefes que envergam fardas. Exploram serviços de transporte complementar (alternativo) sendo os "proprietários" das Cooperativas de vans, também cobrando "taxas para segurança" de moradores e comerciantes, obtendo vantagens na venda de produtos pirateados, não por acaso também controlam o comércio de diversos "camelódromos" por toda a cidade, disfarçando-se ou colocando "laranjas" à sua frente como Presidentes dessas Associações ou Cooperativas, talvez por isso o comércio informal, ilegal e afins seja tão pouco fiscalizado em nosso Estado.

Os traficantes são os que colocam à venda substâncias entorpecentes para financiar a compra de armas no exterior de onde também importam a matéria prima para seu preparo. Adquirem armamento também junto à polícia, de quem são os maiores clientes. O consumo de drogas os financia, proporcionando aos marginais importarem armamento, que os possibilita continuar o modelo brasileiro de tráfico que se consubstancia no domínio geográfico através do poder bélico. Com a milícia, aprendeu a extorquir a população local, através da cobrança de taxas de segurança a comerciantes e moradores, bem como comercializar gás e água mineral e ainda prover serviço chamado "gato net" onde se distribui sinal de internet e tv a cabo de empresa do setor, remunerando-se. Cobrar dos moradores tem sido um erro fatal, pois estes são os responsáveis por sua permanência no local, de maneira a não denunciar sua localização.

Para combater o tráfico faz-se necessária uma mudança substancial na política antidrogas, bem como um esforço da Polícias Federal e Rodoviária Federal e ainda das Forças Armadas para que se evite a entrada de armas e drogas no país, já que a produção nacional de drogas é ínfima ante ao que se importa e, impossibilitando que a droga chegue ao traficante, essa não será vendida ao usuário, principal financiador dessa engrenagem do crime, sem o qual essa não tem razão de ser. Logo, o Estado tem o dever de, criar e desenvolver novas políticas provendo alternativas que busquem o tratamento e melhor conscientização da população, sobretudo dos jovens no que concerne ao consumo.

E combater a milícia? Punir exemplarmente os envolvidos, prendendo os policiais criminosos, como criminosos comuns, já que não cometeram crimes militares em sua essência, em que pese poder haver cumulação destes com infrações disciplinares, mas sim crimes estabelecidos no Código Penal Brasileiro. Para tanto a regulação por parte do Estado do transporte complementar (alternativo) é essencial e indispensável, dentre outras providências.

Como se vê a polícia tem um papel muito peculiar, ao passo que enquanto parte da corporação combate a criminalidade a outra faz parte da mesma, seja como miliciano, grupo de extermínio, ou contribuindo com a venda de fuzis, fornecendo dados sobre operações e até cobrando para se omitirem, como no recente caso na comunidade do Fallet, envolvendo integrantes de uma Unidade de Polícia Pacificadora.

Já no que diz respeito aos magistrados, a maioria até tem feito bem seu trabalho, alguns com "a mão mais pesada" condenam exemplarmente os que descumprem a lei, no entanto são alvos para os criminosos e estão adstritos e de mãos atadas pela legislação vigente, de péssima redação que mostra que os políticos e seus assessores jurídicos não tem o devido preparo, o que possibilita as interpretações favoráveis aos criminosos e ainda as penas brandas, de um Código da década de 40 do século passado.

A classe política se caracteriza pela falta de vontade de ver modificada a situação que há décadas se instaurou e que só piora a cada dia, principalmente com o aumento exponencial de milicianos, que antes se resumiam a "grupos de justiceiros que não toleravam a criminalidade local", muitos dos quais possuem mandato ou financiam campanha de parentes para que expressem suas vontades no parlamento. Outros, se utilizam dos "serviços" de policiais ou mesmo traficantes para que se perpetuem no poder, seja fazendo acordos de coexistência ou mesmo com o financiamento de campanha e utilização de "mão-de-obra" local nos pleitos. A vontade da quase totalidade da classe política se resume a ver aumentados sua remuneração e benefícios.

Como se vê, todo esse sistema é forte e essa situação muitíssimo difícil de ser modificada, contudo, não se pode olvidar do seguinte: 

Quem consome as drogas? Parte da população;
Quem usa o transporte alternativo? Grande parte da população;
Quem compra produtos pirateados? 52% da população;
Quem ainda vota em milicianos, corruptos e em pessoas sem qualquer preparo? A população; e
Quem tem "gato net" em casa e acha o máximo pagar pouco pelo serviço? Parte da população.

Como se vê, cobrar mudanças do Estado ou fazer manifestações sem combater o financiador do crime que existe dentro de você é apenas hipocrisia.

O mal não se combate podando, para ver se fica mais bonito ou menos feio, tem que se cortar pela raiz, mas com inteligência e presteza, usando a lâmina certa com a precisão e vontade que se fazem necessárias.


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